Estudantes em defesa da educação e da vida: Carta aberta sobre o retorno das aulas presenciais

Curitiba, 18 de fevereiro de 2021


A população mundial enfrenta tempos difíceis desde março do último ano, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou situação de pandemia decorrente da COVID-19. Há quase um ano nos debruçamos na busca por uma forma de continuar nossas atividades cotidianas como estudos e trabalhos, vivemos um cenário incerto na busca de vacinação em massa da população, para assegurar a saúde de todos paralelo a contenção da propagação do vírus. Por todo o Brasil, instituições de ensino permanecem com atividades presenciais suspensas e substituídas por métodos virtuais, seguindo ainda a orientação de isolamento social. Toda essa situação atípica gerou uma turbulência nos métodos comuns de vida em sociedade, exigindo de nós solidariedade e uma série de medidas para garantir a proteção e permanência dos diversos estudantes paranaenses.


Com essas inúmeras atividades paralisadas pelo país, enfatizamos o protagonismo dos trabalhadores da área de saúde, das universidades e institutos de pesquisa, que mesmo com as atividades acadêmicas suspensas, continuaram trabalhando na linha de frente do combate ao vírus, na incessante busca pelo desenvolvimento de vacinas que possam curar e imunizar os brasileiros, tendo como aliada a tecnologia dentro das unidades públicas de tratamento. Estudantes, técnicos, professores e meios oficiais também foram disponibilizados para aumentar o contingente dos profissionais apostos ao corpo já existente do Sistema Único de Saúde (SUS).


Diante de medidas irresponsáveis do governo federal e estadual, que se mostram ainda mais insustentáveis frente a esta crise sanitária e econômica, o conjunto dos estudantes paranaenses trazem neste documento uma enorme preocupação diante ao decreto 6637 de 20 de janeiro de 2021 publicado no Diário Oficial nº 10855 do governo do estado do Paraná, que permite a volta às aulas presenciais nas escolas estaduais públicas e privadas e nas universidades públicas.


Atualmente, frente ao novo crescimento do número de contaminados, internações e mortes em decorrência do COVID-19, os estados e municípios sabidamente estão restringindo o funcionamento de locais com potencial para aglomeração, reduzindo o horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais, restaurantes, shoppings, cinemas, entre outros, o que novamente nos faz questionar a conveniência do retorno às aulas presenciais neste momento.


O estado do Paraná registrou mais 5.796 novos casos e 78 novas mortes provocadas pela covid-19 no boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) de 14 de janeiro de 2021, totalizando 488.801 diagnósticos e 8.902 mortes. Destes novos casos confirmados, 5.391 são de pacientes diagnosticados em janeiro deste ano. O restante é de casos que foram contabilizados agora, mas aconteceram em meses anteriores.



Gráfico de casos e mortes no período de 12 de março de 2020 a 10 de janeiro de 2021.





Gráfico de casos no período de 12 de março de 2020 a 10 de janeiro de 2021.


Gráfico de mortes no período de 27 de março de 2020 a 10 de janeiro de 2021.




Diante do cenário do aumento de casos no estado, não é coerente que as aulas retornem sem antes observar a situação de risco que os alunos e profissionais da educação estarão expostos com a aglomeração que tal orientação causaria. Hoje, além da vacina, a única forma comprovada de não haver contaminação em massa e, consequentemente, superlotação do Sistema Único de Saúde é o isolamento social, sendo assim enquanto todos os profissionais do ensino não estiverem devidamente vacinados, retornar das aulas traria caos.


Para justificar tal argumentação, poderíamos citar diversos casos fora do país que tiveram resultados questionáveis ao tentar retornar às aulas como na África do Sul, que assim como o Brasil está classificado como emergente, onde aumentou o número de contaminados no período de retorno.


A consultoria Vozes da educação estudou 20 países que retornaram às aulas e observaram que casos positivos só foram possíveis com: curva de contágio estáveis ou decrescentes, medidas sanitárias e distanciamento social implementados com bons resultados, monitoramento e contenção dos casos isolados, ótima comunicação e transparência dos governos, redução da resistência da opinião pública e medidas para grupos de riscos.


É necessário enxergar e interpretar essas ações para a sua implantação no cenário nacional.


Podemos analisar o estado do Paraná com a seguinte realidade:


· Não se encontra com uma curva de contágio descrente, como supracitado nos gráficos;

· As medidas sanitárias não podem ser respeitadas devido a falta de materiais básicos, como álcool em gel, que já encontramos nas Universidades;

· Temos um governante nacional que indica remédios que comprovadamente são ineficazes ao tratamento;

. Grupo profissional escolar sem preparo e orientação sobre as formas de contágio, como o uso de ventiladores e ares-condicionados que vem acontecendo em instituições que retomaram algumas atividades;

· A falta de clareza do que ocorrerá com profissionais, estudantes e familiares que pertencem ao grupo de risco.

. Os métodos de locomoção que estudantes e trabalhadores usam para chegar às universidades, como transporte público e coletivo, esses que contrariam todas as orientações para não propagação do vírus com superlotações e nenhuma forma de higienização.

· Ainda há resistência dos sindicatos que representam a classe trabalhadora e dos demais membros da sociedade envolvida.

Desse modo, se observa que não há condições mínimas de êxito com a volta às aulas, pois nenhum ponto converge com a realidade dos países que tiveram resultados satisfatórios com o retorno. Também é importante ressaltar que a pesquisa foi feita antes da chegada da vacina e, por isso, não está citada como medida.


Lendo o texto contido no decreto 6637, percebemos que ele apresenta uma realidade que não dialoga com a que encontramos dentro das escolas e universidades, mostrando a falta de conhecimento daqueles que tomam decisões de grande impacto na vida do corpo acadêmico.


Enxergamos a imprescindível necessidade de vacinação dos profissionais da educação como prioridade e o investimento para materiais e serviços necessários para manutenção de um ambiente limpo e sem riscos de contágio, como aquisição de luvas, máscaras e álcool 70% antes da discussão e decretação de volta às aulas.


Em defesa da educação e da vida, não podemos permitir à volta às aulas presenciais de maneira precoce. Sem vacinação, não há perspectiva de segurança para a população.


Assinam a carta as seguintes entidades:


União Paranaense dos Estudantes - UPE

União Nacional dos Estudantes - UNE

Conselho Estadual dos Estudantes do Instituto Federal do Paraná - CEEIFPR

Diretório Central dos Estudantes Estadual da Universidade Teológica Federal do Paraná - DCE ESTADUAL UTFPR

Diretório Central dos Estudantes do Instituto Federal do Paraná - DCE IFPR Campus Palmas

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Teológica Federal do Paraná - DCE UTFPR Campus Curitiba

Diretório Central dos Estudantes - DCE UNESPAR Campus de União da Vitória

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual do Norte do Paraná - DCE UENP

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual do Centro Oeste - DCE UNICENTRO Campus Irati

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Maringá - DCE UEM

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual de Londrina - DCE UEL

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - DCE UNIOESTE Campus Francisco Beltrão

Diretório Central Dos Estudantes da Universidade Estadual do Norte do Paraná - DCE UENP

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual do Centro Oeste - DCE UNICENTRO

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Paraná - DCE UFPR

Diretório Estudantil Latino Americano - DELA UNILA

Centro Acadêmico de Psicologia Nise da Silveira - CA de Psicologia da UNICENTRO Campus Irati

Centro Acadêmico de Fonoaudiologia - UNICENTRO Campus Irati

Centro Acadêmico de História - UNICENTRO Campus Irati

Centro Acadêmico 9 de setembro - CA de Medicina Veterinária UENP

Centro Acadêmico de Artes Cênicas - UEM

Centro Acadêmico Horácio Raccanello Filho - CA de Direito UEM

Diretório Acadêmico Maria Lorena Campus Silva - UENP Campus Jacarezinho

Diretório Acadêmico do Campus Curitiba II - FAP da UNESPAR



Para assinar acesse o link:

https://forms.gle/NNuAXdQfWx4HyHDM7



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