O Palácio dos Estudantes

    O prédio situado entre as ruas João Manoel 142 e Presidente Carlos Cavalcanti 1157, já foi um pouco de tudo, esse local marcou gerações e registrou uma série de acontecimentos que apontam grandes contribuições da UPE à sociedade paranaense. Este espaço já abrigou Restaurante Universitário, gráfica clandestina, atendimento odontológico, grandes manifestações artísticas e culturais e aqueles das antigas certamente lembrarão do saudoso Bar do Cardoso, ponto da boemia e da intelectualidade curitibana.

São milhares as boas histórias a se contar, que fazem deste espaço tão importante no sentido histórico, cultural e político. Resguardado seu ápice histórico de funcionamento, uma parte dessa história é resistência.

Não há como falar da UPE sem falar do Casarão! Um espaço que moveu e move os sonhos e as lutas de várias gerações de estudantes.

    Tudo começou em 1876, no dia 29 de janeiro na cidade que viria a se tornar a capital da Paraíba. Benjamin Baptista Lins D’Albuquerque é filho de militar e desde cedo almejou estudar e seguir carreira da docência. Permaneceu em João Pessoa até concluir o curso de Direito - lecionando matérias em aulas particulares para obter seu sustento e pagar os estudos. De lá, com muitas esperanças, chegou no Paraná em meados de setembro de 1907.

   Aqui chegado, buscou parcerias para trabalhar como causídico em escritório de advocacia recém organizado em Curitiba. Também trouxe consigo bons ventos do progresso. Benjamin Lins D’Albuquerque participou da elaboração e consolidação da instalação da Universidade Federal do Paraná, junto com Nilo Cairo, Carlos Cavalcanti e outras mentes visionárias do estado. 

    Em 24 de março de 1913 inaugurou, com aula ministrada por ele, o curso da Faculdade de Direito da Federal do Paraná. Lecionou nas cadeiras de Enciclopédia Jurídica, Filosofia do Direito e Introdução à Ciência Jurídica por 30 anos, até ser aposentado. Em 1919, ávido pelo desenvolvimento, Benjamin se reúne com outros célebres construtores do Paraná para darem vida a dois jornais, a “Gazeta do Povo” e o “O Dia”. Nas palavras do próprio professor Lins "ambos destinados a formar as correntes de opinião do povo paranaense, para livrá-los das estreitas e egoístas de certos políticos que não entendem a vida pública senão subordinada ao maquiavelismo dos interesses particulares”. 

    Sua ousadia era grande e também assina as memórias de sua história como fundador e dirigente do Partido Democrático Paranaense, como crítico ao situacionismo. Fruto de sua forma política, assumiu a Procuradoria Regional da República entre os anos de 1933 e 1934, no governo provisório de Vargas.  

    Benjamin Lins foi largamente homenageado, destacando-se, entre outros, os pleitos dedicados pela Universidade Federal, pela Ordem dos Advogados do Brasil, Secretaria de Educação e Cultura, Secretaria da Justiça e, é claro, pela Gazeta do Povo.    Porém, hoje, há de ser ressaltada outro feito do jurista Benjamin: O palácio dos estudantes!

    Essa casa é datada de 1918, com arquitetura arte nouveau baseada em longos e ondulados traços, forjados num espectro de redesenhar a arquitetura através da inovação das indústrias. Aqui esteve abrigada a família de Benjamin até 1950 quando o Estado do Paraná adquiriu o imóvel e em 1959 o concedeu, para utilização, a União Paranaense dos Estudantes. Foram as veias acadêmicas e democráticas do falecido professor que deram o tom da concessão de uso. 

    Os estudantes, através da UPE, tornaram esta casa um espaço de oferta de serviços e benefícios aos estudantes das terras das araucárias. Aos poucos a casa que abrigava alguns serviços passou a ser a sede definitiva do movimento estudantil do Paraná.

 

    Tomados pelo golpe militar de 1964, os direitos individuais e políticos entraram em declínio, com ampla perseguição aos que se opusessem ao regime. E essa é a história da União Paranaense dos Estudantes. Resistência ante a regimes não democráticos.

 

    O “casarão” - apelido carinhoso dado pelos estudantes - foi invadido e tomado pela ditadura em 1968, em conjunto com um processo administrativo que extinguiu a entidade estudantil do Paraná.  Na torre do casarão, os estudantes universitários instalaram clandestinamente máquinas de impressão de tinta em papel para fazer circular versões críticas do jornal Flâmula, conhecidos folhetins da classe estudantil. Também saíram de lá panfletos e outros materiais combativos que por segurança eram apócrifos. 

    No início da década de 90, os acervos da DOPS foram transferidos para o arquivo público estadual. Lá é possível encontrar documentos que foram selecionados e armazenados por agentes da polícia política, desde a década de 1920. Pode-se caracterizá-los em três grupos, de acordo com a natureza de produção. Existem os produzidos pela polícia política, onde se encontram documentos como relatórios, informes, ofícios expedidos e recebidos, radiogramas, telegramas, fichas de identificação criminal, pedidos de busca e apreensão, inquéritos, e fotografias. Reúnem também os produzidos pelos indivíduos ou instituições/grupos/entidades que estavam sob vigilância, e assim foram arquivados pelos agentes do DOPS. Aqui, por exemplo, os produzidos pela UPE na Torre deste Casarão, existem panfletos, manifestos, cartazes, flâmulas, estatutos de centros acadêmicos, constituição da entidade estudantil, textos de peças teatrais, relatórios dos congressos e seminários, rascunhos, correspondências, informes e revistas estudantis. 

   A casa centenária foi invadida e lacrada pelos militares. Somente em 1983 o governo do Estado do Paraná, através do governador José Richa, concedeu a residência em comodato à Prefeitura de Curitiba. Embora não tivesse esse espaço de direito, aqui sempre foi o coração do movimento estudantil.

    Para que pudéssemos utilizar o espaço, nesse momento cedido a Prefeitura de Curitiba foi necessário resistir e se reinventar! Embora tenha passado por períodos de abandono, de proibição de acesso aos estudantes, ameaça de venda do patrimônio e de cessão de uso a outros órgãos, o Casarão sempre foi pauta prioritária para a UPE.

    No final dos anos 2000, depois de quase uma década de dificuldades de ocupação do Casarão, o prédio passou pela primeira grande reforma na gestão do Presidente Joel Benin. Esse foi o primeiro passo para que a Sede voltasse a ser referência dos estudantes. A casa novamente foi lacrada, com madeiras nas portas, para evitar ocupações. Chegada a hora que o movimento estudantil compreende as dificuldades e as necessidades de se ocupar um prédio histórico, era necessário uma parceria forte e sólida que pudesse abraçar os anseios e os sonhos dos estudantes Paranaenses. 

    Em 2013 o cenário mudou drasticamente. Na gestão do então Prefeito Gustavo Fruet foi celebrado o convênio entre a Prefeitura e a Fundação Cultural de Curitiba, que administraria o prédio e faria uso compartilhado com a União Paranaense dos Estudantes. O decreto foi assinado no dia 16/05/2013, na gestão do então presidente da UPE, Rafael Bogoni.

    Dada a parceria e a cessão de uso compartilhado, foi através do então presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli, que pudemos tirar os nossos sonhos do papel. No dia 29 de novembro de 2015 o Palácio dos estudantes foi reinauguração na gestão da então Presidenta Elys Maryna Zioli, e passou a sediar não apenas a UPE mas também atividades dos Conselhos Municipais de Cultura, de juventude, de política étnico-racial, e do Centro de Promoção de Agentes de Transformação (CEPAT).

   A reinauguração do Palácio dos Estudantes através da parceria com a Fundação Cultural de Curitiba, permitiu o uso ininterrupto do prédio desde então. Centenário, é neste Palacete que se encontram os sonhos mais bonitos da juventude paranaense, somos um grande cata-vento indicando a direção e os rumos da Educação, através dos ventos que giram e movimentam as mais nobres causas desse País. 

Vida longa à UPE e ao Palácio dos estudantes!

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