19 de março de 2015

RESOLUÇÃO DE CONJUNTURA NACIONAL APROVADA NO CEEG DA UPE EM 19/03/2015



Desde as manifestações de Junho de 2013, vivemos momentos de turbulência na política do nosso país. Após o estopim das manifestações contra os aumentos das passagens do transporte coletivo e a indignação com a repressão policial, milhões de brasileiros foram às ruas, o que apesar de ter sido um momento de bandeiras difusas e com uma dificuldade na busca pelo significado desses atos, exerceu sob a política brasileira uma pressão que forçou os próprios espaços de poder institucional a repensarem seus metódos e organizações. As eleições presidenciais de 2014, que contaram com um segundo turno tensionado e polarizado em torno de dois projetos distintos para o país, contribuiram ainda mais para o acirramento do debate político em todas as camadas da sociedade brasileira. Compreendemos que o presente é produto do acumulo das experiências do passado, e por isso vivemos em uma conjuntura que apela para a reflexão em torno de todo esse período.

Nesse sentido, avaliamos que o Brasil passa por um momento de grande tensão política, que é impossível de se avaliar sem a análise da realidade geopolítica internacional. Temos convivido nos últimos anos com uma crise internacional que afetou profundamente os países desenvolvidos, cujos danos recaíram sobre o proletariado com as medidas de austeridade e arrocho salarial para salvar o capital financeiro na figura dos grandes bancos. Essa crise bate agora à porta dos países emergentes e cria complicações nas políticas econômicas deste bloco.

O governo brasileiro tem tomado medidas que alteraram sua política econômica em relação ao que se construía no último mandato da presidenta Dilma, por meio de um ajuste fiscal acirrado. Por outro lado, as elites, a imprensa e a direita conservadora tem se organizado e acumulado cada vez mais forças para enfraquecer a esquerda e o projeto progressista que conquistou avanços para a classe trabalhadora nos últimos 12 anos. Tem sido notória por parte desses grupos políticos e da grande mídia uma campanha de mentiras e desinformação que disseminam o ódio e tem levado algumas parcelas da sociedade brasileira à apoiarem ou caminharem lado a lado com um projeto reacionário e golpista que ameaça a democracia em nosso país.

Os recentes casos de corrupção na Petrobrás descobertos com as investigações da Operação Lava Jato, serviram de munição para a direita e a grande mídia inflamarem os discursos superficiais acerca das instituições políticas brasileiras. Somos completamente contra qualquer tipo de corrupção, mas compreendemos que tal cenário fortalece cada vez mais o sentimento de descrença na política e abre espaço para grupos fascistas/golpistas tirarem suas máscaras, além de possibilitar uma investida que busca privatizar a nossa maior e mais importante empresa estatal, a Petrobrás.

Cabe a nós, estudantes,  fazendo juz à história do movimento estudantil, de nossas entidades e lideranças que foram perseguidas, os quais resistiram e lutaram para a conquista da democracia no Brasil, reivindicar sim a punição de corruptos e corruptores, mas com a seguridade de que só uma Reforma Política Democrática que impeça o financiamento privado de campanhas e amplie a participação popular pode fortalecer ainda mais a nossa democracia e evitar o retrocesso. Devemos também lutar pela democratização dos meios de comunicação e fazer uma ampla defesa da Petrobrás e de uma Caixa Econômica Federal 100% pública, para que essas empresas possam servir ao povo brasileiro e à soberania do nosso país.

Curitiba, 19 de Março de 2015.

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