17 de março de 2015

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO COLETIVO PROUNISE DA PUC-PR

Nós, do Coletivo Permanência Estudantil (PROUNISE) da PUC-PR, estudantes de Ciências Sociais, viemos por meio desta, manifestar esclarecimento:


1- A reprodução do senso–comum e de valores machistas da infeliz postagem que o DCE PUC-PR divulgou no dia 08 de março de 2015 (Dia Internacional da Mulher) via Facebook, infelizmente evidencia a falta de prática de enfrentamento perante as questões da luta feminina. Levando em consideração, que a Universidade possui um histórico de herança patriarcal e de estereótipos preconceituosos semelhante aos da sociedade em que vivemos. 

2- A atual gestão acadêmica (DCE) tem se mostrado aberta ao dialogo e ao debate, afim de, desconstruir questões enraizadas sobre esse tema, no qual se dispõem a conhecer e saber mais sobre as lutas feministas (o que ficou claro, na retratação divulgada pelo mesmo). 

3- Não compartilhamos da mesma visão e opinião que o Coletivo “Caaso das Minas”, embora tenhamos o mesmo centro acadêmico, e façamos parte do mesmo curso. 

4- Acreditamos no diálogo, pois esse mesmo diálogo é negligenciado a nós estudantes da periferia, que temos históricos de ataques dos próprios colegas homens do curso o qual participamos (Ciências Sociais - Pontifícia Universidade Católica do Paraná). 

5- Enfrentamos todos os tipos de violência, e diariamente somos discriminadas pelo pertencimento da classe trabalhadora, mas, o pior sentimento talvez seja o da impotência, de sermos silenciadas e oprimidas pelas próprias mulheres que se dizem lutar pelo feminismo. O extremismo nos cala, nos silencia, exclui e segrega outros pontos de vista, validando somente o feminismo que está sob uma única perspectiva, sob um único ponto de vista, de maneira autoritária, agressiva e individual. 

6 - Somos mulheres da base da pirâmide da sociedade, não temos acesso aos mesmos privilégios de quem se diz “livre em uma sociedade que não nos deixa ser quem somos”, e em uma Universidade que nos impõem regras de como devemos ser e pensar. 

7- A nossa luta não fará diferença pela divulgação de um “post” baseado pelo senso-comum, e sim pelo enfrentamento diário da violência que sofremos no nosso dia-a-dia. Se não conseguimos diálogo, respeito e enfrentamento do machismo no interior do nosso próprio curso, jamais vamos conseguir modificar a realidade da instituição, e muito menos lançar vôos para além de seus murros.  

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