8 de março de 2015

"MAIS DIREITOS, NENHUM A MENOS", POR LAYS GONÇALVES

Diretora de Mulheres da UNE convoca todas estudantes
 a participarem dos atos de rua do 8 de março


As organizações de mulheres historicamente se organizam no 8 de março em ações e atos de rua de forma unificada em torno do enfrentamento ao patriarcado e ao capitalismo, por melhores condições trabalho, por autonomia, por mais direitos que garantam a igualdade entre homens e mulheres, por uma sociedade justa e igualitária, e da importância de nos movimentarmos para que tudo isso aconteça!

As mulheres lutam cotidianamente, protagonizam transformações profundas na sociedade, a partir da auto-organização como forma de empoderamento. A compreensão da estrutura sistêmica de um capitalismo que é patriarcal e racista é fundamental para identificar como se dá a desigualdade, e quais caminhos necessários para uma sociedade livre do machismo, racismo e lgbtfobia.


A legalização do aborto é pauta permanente de lutas, na perspectiva da autonomia do corpo e da vida das mulheres. A maternidade não é uma determinação, mas mais uma imposição sistêmica, operada pela posição de subalternidade e pelo econômico sobre o corpo e as decisões das mulheres, com o intuito de controlar nossas vidas e nossa sexualidade. É preciso falar sobre aborto no sistema público de saúde, e garantir a descriminalização das mulheres que abortam. É inadmissível continuarmos clandestinas sem o aborto seguro, garantido pelo SUS.

O gênero não pode se enquadrar no modelo de mulher imposto pela sociedade, pautado em uma feminilidade e em uma sexualidade. A lesbianidade é do gênero feminino, e o sexo feminino não é ligado diretamente a uma orientação sexual. Nenhuma mulher deixa de ser mulher por gostar de mulheres, e a visibilidade lésbica é ferramenta fundamental neste processo de enfrentamento. Em relação as bissexuais a necessidade da visibilidade permanece, principalmente ao serem colocadas como confusas, e muitas vezes no campo heteronormativo a serviço do prazer dos homens pelo fato de também se relacionarem com mulheres.

A violência sexista e racista devem ser enfrentadas. O racismo opera no patriarcado e no sistema capitalista de tal maneira a massacrar e assediar as mulheres, de manter dificuldades para entrarem na universidade, se utilizam da hiperssexualização de seus corpos como mercadoria. É preciso fortalecer políticas de combate ao racismo na educação, no mundo do trabalho, e na saúde, concomitante à visibilidade dessas mulheres que estudam e trabalham e constroem a história de nosso país, e sofrem violência pelo fato de serem negras.

Reforçamos neste momento a importância da vitória dessa semana da aprovação do feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio e enquanto crime hediondo. Há tempo denunciamos isso, e exigimos a responsabilização do Estado pelas milhares de mulheres mortas anualmente. E neste 8 de março, em 2015, podemos comemorar esse avanço! É sabido que juridicamente, temos aporte legal para casos de homicídio, mas ter juridicamente um termo para uso em julgamentos que envolvem a violência sexista de forma objetiva, nos empodera.

O índice ainda alto de violência doméstica e de assassinato de mulheres, fazem com que essa aprovação fortaleça nossa exigência enquanto movimento do cumprimento da Lei Maria da Penha, de o Estado Brasileiro não admitir a violência sexista, e de avançar na compreensão de que matar uma pessoa pelo fato de ser mulher é fruto do machismo e da misoginia, e não simples violência. Lésbicas e transexuais são mortas diariamente pela violência sexista, e casos não são julgados por “não se encontrarem justificativas plausíveis”, ignorar e invisibilizar são (eram) a realidade. Hoje, o termo feminicídio ao qualificar os crimes que são índices, aponta a necessidade de enfrentamentos efetivos. A luta continua, mas agora com esse novo elemento.

Em 2011, foram notificados no Sinan 12.087 casos de estupro no Brasil, o que equivale a cerca de 23% do total registrado na polícia em 2012, conforme dados do Anuário 2013 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) – e há pesquisas que relatam que menos de 10% dos casos são relatados à polícia. A cultura do estupro em nosso país tem sido reproduzida na juventude e nas universidades. Homens a partir de uma dita virilidade e superioridade identificam as mulheres como objeto de sua posse sexual. Sexo sem consenso é crime, chama-se estupro! Os trotes e calouradas infelizmente ainda tem sido espaço de manutenção de opressões, e isso tem que mudar. O corpo é das mulheres, e veterano não é dono de caloura. O espaço da universidade deve ser desafiado pelas e pelos estudantes a ter uma lógica diferente, de enfrentamento ao machismo, racismo e lgbtfobia. Não dá para falarmos no ME de divisão sexual do trabalho, novos currículos que visibilizem as mulheres sem observar e intervir nas opressões que ocorrem em todo início de aulas.

O movimento feminista atua na sociedade conjuntamente ao movimento popular, onde as estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, fortalecem um mesmo projeto de transformação. Como temos visto no Paraná, estado em que a categoria das e dos docentes do ensino básico, e funcionárias e funcionários de escola do estado estão em greve há um mês, sem retorno do governo do estado, 80% da categoria são mulheres. Mulheres estas que tem encampado a organização dessa luta por todo o estado. E neste 8, haverá uma série de atividades que reforçam a luta feminista, numa sociedade em que capital e patriarcado fortalecem a divisão sexual do trabalho, relegando condições vergonhosas de trabalho para as mulheres, e de categorias majoritariamente femininas.

A Democratização dos Meios de Comunicação e a Reforma Política são pautas centrais dos movimentos e de suma importância para as mulheres, pois dizem respeito diretamente a qual imaginário é cotidianamente construído na mídia e na política em relação às mulheres e ao capital (espaço privado, padrão de feminilidade, controle do Estado e da polícia, de política racista, machista e lbgtfóbica).

O 8 de março é uma convocação a todas e todos ao Dia Internacional das Mulheres, ao mês de luta das mulheres!

Participe das ações e atos de rua em seu estado.

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Essa luta nos UNE!

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