19 de agosto de 2010

Presidentes do DCE e da UPE falam da conquista histórica na UEM

Após 20 anos de luta do movimento estudantil no Paraná, reitor assina ato executivo de construção da Casa do Estudante Universitário

Por Rafael Minoro, do EstudanteNet


O primeiro protocolo pedindo a Casa do Estudante Universitário (CEU) na Universidade Estadual de Maringá (UEM) data de 1987. "De lá para cá, várias ações do DCE e da própria Universidade estão documentadas, requerendo desde emendas orçamentárias até a criação de um fundo para o financiamento da mesma. A nossa gestão do DCE procurou ver os erros e acertos de todo esse processo para tentar encontrar um caminho para trilharmos", explica o presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Paulo Moreira da Rosa Júnior, que na última terça-feira (16) comemorou, após 20 anos de luta, uma vitória histórica. Os estudantes do Paraná conquistaram o que diversas gerações esperaram durante anos: a assinatura do ato executivo de construção da CEU, pelo reitor Décio Sperandio, após uma reunião com Centros Acadêmicos, o DCE e a própria UPE.

A oportunidade surgiu quando a Secretária de Ciência e Tecnologia publicou um edital com a destinação de 25 milhões que seriam disputados pela rede estadual de ensino superior do Paraná, entre os quais havia “Democratização do acesso e flexibilização dos modelos de formação”, onde se previa o investimento em ações de apoio estudantil, inclusive a construção de moradias.

"A partir daí, tanto o DCE quanto a UPE lutaram juntos para que o Conselho Administrativo (CAD) da Universidade e a SETI mantivessem os critérios estabelecidos, mesmo com a forte pressão do lobby feito pelos reitores das maiores Universidades do Estado para que fossem desconsiderados certos eixos deste edital", disse Paulo.
O EstudanteNet também conversou com o coordenador-geral do DCE da UEM, Stephano Hertal Farias Nunes. Para ele, a aprovação da Casa dos Estudantes faz parte de um amplo processo de mobilização dos estudantes que ganhou força após a realização do I Fórum de Assistência Estudantil da UEM. "Onde confrontamos alunos e administração sobre as políticas de apoio acadêmico que a Universidade oferece aos alunos", destaca.
Stephano falou ainda sobre a intenção de transformar o espaço em ambiente de efervescência das trocas de conhecimento e experiência entre as diversas juventudes. "Temos a intenção ainda de fundar um CUCA lá", contou. Leia abaixo a entrevista:

A conquista da Casa dos Estudantes é uma vitória esperada há 20 anos. Todos que vivem o movimento estudantil no Paraná sabem que todo esse tempo foram feitas diversas formas de reivindicação e pressão. A que você atribui essa conquista neste momento?

Foram várias reuniões com a secretária de ciência e tecnologia e uma forte pressão dentro do conselho, realizado pelos próprios estudantes. Para dar suporte às nossas propostas, elaboramos um fórum para debater o tema com todos os acadêmicos. Realizamos o I Fórum de Assistência Estudantil da UEM, onde confrontamos alunos e administração sobre as políticas de apoio acadêmico que a Universidade oferece aos alunos. O tema da CEU acabou sendo o debate principal do evento. Com as eleições para a administração, colocamos em pauta a questão da assistência estudantil que acabou protagonizando o debate entre os candidatos, comprometendo quase todos os membros do CAD a darem o parecer favorável ao projeto, a partir daí, exigimos do reitor um Ato Executivo para que se agilizassem os trâmites burocráticos, já que há este comprometimento do conselho em liberar os recursos para a construção da CEU-UEM.

Agora, quais são os próximos passos? Vocês já tem definidos os prazos de construção e a possível inauguração do espaço? Como isso será cobrado pelas entidades?

Com certeza vencemos uma batalha, mas há ainda um longo caminho a se trilhar. Os prazos para se executarem as obras vencem antes do término da atual gestão e sabemos que há um certo receio por parte de alguns membros da administração em iniciar as obras. O terreno da CEU já estava garantido no plano diretor da UEM. O movimento estudantil está atento e já estamos programando um ato para garantir o início das obras.

Como vai funcionar a Casa dos Estudantes? Serão quantas vagas e quem poderá participar? É suficiente ou o objetivo será lutar por mais?

Como tática para conseguir estes recursos, a princípio procuramos não cair em questões burocráticas, pois sabíamos que os que seriam contrários nos afogariam em burocracia e os prazos eram curtos. Fomos simples e diretos nas nossas ações: queremos o recurso necessário para o início da construção da CEU e, a partir daí, fizemos pressão para o conselho aprovar a construção da CEU. O projeto inicial contempla 270 vagas, divido em quatro blocos, sendo um de apoio. Conseguimos os recursos para iniciar a construção do bloco A, onde estão previstas 72 vagas. Cabe a comunidade acadêmica definir o modelo administrativo que a Casa do Estudante irá adotar.

As moradias estudantis sempre tiveram a característica de ser também espaço de convivência das diferentes juventudes, sendo local para manifestações artísticas e acadêmicas. Esse será também o objetivo da UEM? Como fazer que a Casa do Estudante seja também ambiente de troca de conhecimento e cultura?

O projeto inicial contempla uma praça de convivência. Temos um déficit de espaço na universidade para que os alunos possam se encontrar, além do espaço de convivência do DCE e das cantinas, não há uma praça ou local onde os estudantes possam realizar manifestações artísticas por exemplo. O espaço da praça pode ser um local onde as atividades culturais promovidas pela comunidade acadêmica possam acontecer. Estamos com um projeto para implantar o CUCA da UNE e temos a necessidade deste local. Há ainda a previsão da construção da concha acústica, outra bandeira do movimento estudantil da UEM.

Existem outras bandeiras para a assistência estudantil que ainda faltam ser aprovadas?

Muitas. Temos vários déficits nos serviços oferecidos pela Universidade. Há várias ações isoladas oferecidas, mas que não estão interligadas entre si. Por isso vemos como necessidade a implantação de um órgão administrativo que possa gerenciar todos estes projetos, que estão dispersos e não estão conectados. Por exemplo, há um histórico grande de alunos com problemas relacionados a depressão e outras patologias parecidas e não há um acompanhamento institucional. A maioria destes casos freqüentemente vai parar nos conselhos, através de processos de dilação de prazo para a conclusão do currículo. Nós temos um ambulatório com atendimento psicológico, temos a Unidade de Psicologia Aplicada e o Hospital Universitário de Maringá conta com residentes em psiquiatria com espaços em sua agenda de atendimento para tratar destes casos. Mas a falta de um link entre as assistentes sociais da Universidade, a clínica de psicologia e o hospital desfavorecem qualquer resultado positivo, porque não temos ainda uma política institucional que consiga agregar estas ações. A assistência estudantil deveria ser pensada como uma política pública para a redução da evasão escolar e a inclusão social na universidade.

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