16 de junho de 2010

Copa 2010 impõe sofrimento ao povo e a juventude da África do Sul.

Por Gabriel Mendoza*

A FIFA é o FMI do futebol” Eduardo Galeano.

Entre as exigências da FIFA para a realização da copa do mundo figuram o fim das barreiras protecionistas para os produtos da copa como forma de ampliar o lucro da Federação.

Estádio Green Point

A realização da Copa do Mundo 2010 na África do Sul foi o aprofundamento dos problemas do país. A construção do estádio Green Point representou a destruição de uma das poucas reservas verdes da Cidade do Cabo, além do despejo de milhares de famílias pobres.

Os despejados da Copa já são dezenas de milhares, segundo o bispo Paul Verryn, que abriga cerca de 2000 refugiados. O motivo não é outro senão tomar para as imobiliárias as áreas valorizadas onde essas populações sempre viveram.

Entre os desalojados está uma escola primária de uma favela, na cidade de Nelspruit, que foi transferida para contêineres sem ventilação e nem janelas adequada para dar lugar ao alojamento dos engenheiros e trabalhadores especializados de um consórcio multinacional que ganhou a licitação para construção do estádio. Desde 2006 as crianças estão tendo aula em contêiner.

Blikkiesdorp, campos de concentração gerados pela Copa.


Previa-se que seriam gastos 450 milhões de dólares mas os gastos chegaram à 6 bilhões só em estádios. Mas não com as comunidades necessitadas ou com o povo africano.

Estava previsto a construção de um sistema de transporte via metrô mas só foi construído a linha que liga o aeroporto internacional ao bairro nobre de Pretória, em Joanesburgo, com o qual foram gastos 35 bilhões de rands (moeda local, certa de 4,6 bilhões de dólares).

Segundo nota divulgada pelo Socialist Party of Azania (Partido Socialista da Azânia – nome negro da Africa do Sul) “esse dinheiro poderia resolver todos os problemas de transporte do país”.

A Congresso Nacional Africano, partido que está no governo, junto com a FIFA impuseram a população negra sul-africana um amplo toque de recolher. A FIFA tem soberania, podem controlar toda a circulação no raio de 1 km dos estádios onde acontece a copa. O governo proíbe toda e qualquer manifestação durante a copa.

E ainda se der tudo errado a Federação ainda têm um “pé de meia”, um seguro de 650 millhões de dólares a ser pago para a Federação pelo país anfitrião.

São 50 assassinatos por dia, um estupro a cada 20 segundos, e ao final da copa serão 150 mil operários desempregados.

O governo da CNA simplesmente aceita as imposições da FIFA e aplica um desenvolvimento elitista na contra-mão do atendimento das reivindicações.

*Gabriel Mendoza é diretor de universidades públicas da União Paranaense dos estudantes (UPE) e estudante de geografia da Universidade Estadual de Maringá. Também membro do Conselho Nacional e militante do núcleo de Maringá da Juventude Revolução-IRJ.

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