12 de novembro de 2009

Os estudantes e a 6ª Marcha da Classe Trabalhadora


No último dia 11 de novembro, as ruas da capital brasileira foram tomadas por mais de 40 mil trabalhadores e trabalhadoras na maior edição da Marcha que reúne as principais centrais sindicais do país. A UNE e o MST também estiveram presentes, mostrando seu apoio e unidade na luta operária. Uma pauta ampla de reivindicações foi formada, tendo como foco a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário, além da ratificação das convenções 151 e 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) que tratam da negociação coletiva no serviço público e proíbe a demissão imotivada, respectivamente. O controle soberano do pré-sal e a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do trabalho escravo e dos Projetos de Lei sobre a valorização do salário mínimo e a terceirização também faziam parte da plataforma apresentada ao poder público e à população.
A concentração começou por volta das sete horas da manhã no estacionamento do Estádio Mané Garrincha e seguiu até a Esplanada dos Ministérios, terminando com um ato em frente ao Congresso Nacional. Representantes das centrais e parlamentares ligados à causa foram recebidos pelos presidentes da Câmara e do Senado, a fim de conseguirem apoio no andamento das pautas dentro do Congresso, uma vez que os projetos estão praticamente parados. Segundo os parlamentares que estiveram presentes, caso a proposta de redução da jornada for para a plenária, a classe trabalhadora sai vitoriosa.
Os estudantes mostraram que têm lado e que estarão a postos, junto com os trabalhadores, na defesa dos direitos do povo e contra a exploração do capital. A UNE esteve presente fazendo eco a uma de suas principais campanhas para o momento: 50% do Fundo Social do pré-sal para a Educação! Enfrentar a ideologia entreguista de riquezas que subordina nossas oportunidades de colocar o Brasil nos rumos de uma nova estrutura de desenvolvimento econômico e social é prioridade. Não podemos deixar que a riqueza oriunda do que o pré-sal representa seja desviada das reais necessidades do nosso povo. Por isso lutamos para um destino estratégico e relevante do Fundo Social para a Educação, pois este é o pilar do desenvolvimento que acreditamos. Os recursos do pré-sal são finitos, isso já sabemos, mesmo que sejam muito promissores. Portanto, é nossa obrigação destiná-los a políticas estruturalizantes e que podem transformar nosso país para muito além da vitalidade petrolífera. O destino que dermos agora a essas questões pode mudar a realidade brasileira dentro de alguns anos.
Contudo, acreditamos também que o pré-sal não encerra o debate atual. Estamos juntos na luta dos movimentos sociais para garantir um avanço real, democrático e, sim, ousado para o Brasil. Por isso vamos para além da disputa do Fundo Social, queremos o resgate do monopólio estatal do petróleo, perdido com a onda privatizante dos anos 90 e que caminhou na contramão das práticas mundiais sobre energia – tratada como ponto estratégico e soberano em muitos países e, aqui, entregue aos interesses de mercado. O Projeto de Lei que os movimentos sociais apresentaram está no Congresso e precisamos fortalecê-lo com a mobilização popular, pois não temos lobby como as empresas e governos para fazê-lo avançar. Nossa pressão é nas ruas. Garantir uma Petrobras 100% estatal e pública é dever dos estudantes de hoje que cumprem com a história de nosso próprio movimento, protagonista nos anos 50 da própria criação da Petrobras.
É nessa perspectiva que estivemos presentes na 6ª Marcha da Classe Trabalhadora. O Movimento Mudança acredita que só com a união dos estudantes com os movimentos sociais do campo e da cidade traremos vitórias para o nosso povo. E a atual conjuntura nos chama a fazer a luta do petróleo e transformá-la em pauta estratégica para a transformação social. Estivemos presentes na Marcha e fomos bastante reconhecidos pelos trabalhadores presentes dando palavras de ordem contra a rodada de leilões, contra os royalties e mostrando nossa construção da Caravana do Petróleo da União Paranaense dos Estudantes (UPE) que pretende levar para dentro das universidades o debate e a formação dentro da perspectiva da Campanha “O Petróleo tem que ser nosso!” e da unidade popular. Por isso convidamos também que todos os estudantes se apropriem dessa pauta, levantem suas bandeiras e criem a resistência de dentro das universidades para as ruas, junto com os movimentos sociais.

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