16 de setembro de 2009

Parabéns à Setentona dos Estudantes!

A União Paranaense dos Estudantes completa 70 anos de fundação!

Histórico - No dia 16 de setembro de 1939 é fundada a U.E.E. (União Estadual dos Estudantes) do Paraná. A primeira diretoria foi composta por: Presidente: Raúl Bruel; Vice: Reinaldo Maciel; Secretários: Alcir Nacife, Lício Veloso, Enéas M. Queiroz; Tesoureiros: Alceu Grisólia, João S. da Rosa; Oradores: Pery Barreto e Dilermando, Bibliotecário: Carlos Osternack.

A UEE surgiu, com o compromisso de canalizar o debate sobre as questões da educação, servir de pólo aglutinador das lutas estudantis, e com a incumbência de fortalecer e ampliar a rede do movimento. Como faz até os dias de hoje.

Desde a sua fundação até a gestão de 1942-43, as diretorias foram eleitas na realização de reunião. Em 1943 aconteceu o I Congresso, com o objetivo de discutir e deliberar sobre assuntos de interesse da UEE e também de eleger a nova diretoria. Esse mecanismo de eleição manteve-se até a extinção da entidade na época da ditadura.

O Petróleo é nosso!


Já como UPE (União Paranaense dos Estudantes), sem sombra de dúvida um dos momentos mais importantes desses setenta anos, ocorreu no final da década 40 e início dos anos 50. Em 1947, aconteceram os primeiros passos, os primeiros momentos da campanha O PETRÓLEO É NOSSO, no Paraná.

Houveram vários debates, palestras e publicações sobre o tema. Na revista Paraná Universitário e no jornal Flâmula, publicações da UPE, era possível acompanhar em todas as edições que circularam os artigos e o envolvimento da entidade na defesa da campanha.



Extinção da UPE

No ano de 64 ocorreu o Ato Institucional nº 1. A partir desse fato, iniciou-se por parte dos movimentos sociais (em especial do movimento estudantil), todo um processo de critica, em relação às restrições que estavam ocorrendo.

Com o passar do tempo, a ditadura militar foi cada vez mais restringindo os direitos individuais e coletivos dos brasileiros. Consequentemente, as críticas e a resistência também foram aumentando. Materiais apócrifos ou não, manifestações e passeatas, já faziam parte da rotina dos estudantes.

No dia primeiro de abril de 1968, era lançado o Ato Institucional nº 4, que dentre outras medidas arbitrarias decretava a extinção da UNE e das demais entidades estaduais de estudantes.

Com isso, no dia 14 de junho de 1968 o Ministério Público Federal, moveu uma ação de dissolução e liquidação de sociedade da UPE, com a justificativa (além do decreto presidencial), de que a entidade havia contraído dívidas, com fornecedores e ex-funcionários.

No processo de dissolução de mais 600 páginas, ficou determinado que todo o seu patrimônio, após liquidar as pendências, seriam repassados a UFPR.

Reconstrução nos anos 80

Com a reorganização da UNE, desencadeou o processo de reestruturação de várias entidades pelo país afora, com a UPE não foi diferente. O congresso elegeu como o primeiro Presidente após ditadura, o acadêmico Vicente Palhares ligado ao grupo Viração.

Fora Collor e Copel

O processo de Impeachment do Presidente da República, colocou novamente as organizações estudantis, na vanguarda das lutas políticas, que há muito não acontecia. A UPE e a UNE souberam aproveitar a campanha do Fora Collor, para recolocarem a luta estudantil em um novo patamar de ação.

A batalha daCopel, talvez seja a mais importante bandeira da UPE da sua trajetória. Porque não era uma bandeira nacional, da qual a entidade, como todo o conjunto do M.E. brasileiro estaria engajado. A Copel é nossa! tinha significado e razão somente para o povo do Paraná. Por isso, o valor dessa campanha, e do seu resultado.

No mesmo ano de 2001, acorreu outro fato, que em termos de repercussão, quase passou despercebido da maioria e que traria enorme prejuízo para os estudantes da rede estadual. A UPE mobilizou-se e de forma categórica enterrou o projeto de lei, do ex-deputado estadual Divanir Braz Palma, que prévia a cobrança de mensalidades nas universidades estaduais. Esse projeto atingiria cerca de 75.000 alunos.

Palácio dos Estudantes


No começo, a sede da entidade funcionava como local para a diretoria se reunir e deliberar sobre as questões da gestão. Com o passar do tempo, as diretorias perceberam que poderiam oferecer benefícios para os acadêmicos. Adotaram ainda na década de 40, a lógica de sede para prestação de serviços. Para isso, era preciso parceiros e necessitava de um espaço físico.


Viabilizaram uma sede com espaço adequado, programaram atendimento dentário, surgiu nesse período o R.U. - Restaurante Universitário da UPE, além outros serviços. Claramente nessa fase, o centro de ação da entidade era assistencial.

Em 1958, o ex-casarão do senhor Benjamin Lins de Albuquerque, torna-se sede própria da UPE. Além do Restaurante a sede transformou-se em palco para manifestações artísticas e culturais do movimento. Com a ditadura, a sede foi tomada pelo governo, e só recuperada em 1983, no então governo José Richa, mas em forma de comodato, que perdura até os dias de hoje.

Com o passar do tempo o prédio foi se deteriorando, precisando urgentemente de uma ampla reforma. Na gestão do Joel Benin 1997-99, foi possível viabilizar através de parcerias, o restauro e toda a reforma do Casarão. Parecia que o mais difícil havia acontecido, quando no término da reforma, houve um racha na UPE, e logo depois aconteceu um congresso golpista no início de 2001, que impossibilitou temporariamente a reutilização da sede.

Ainda assim, com todas essas dificuldades, mais uma vez a União Paranaense dos Estudantes, teve força e determinação diante da adversidade. Reunificou a entidade e retomou o Casarão dos estudantes.


HOJE

Hoje a UPE realiza em sua sede um cursinho preparatório para o Enem, ajudando estudantes das escolas públicas e que já deixaram o colégio há algum tempo, a se preparem melhor para se tornarem futuros universitários, tanto nas universidades públicas como nas particulares com o Prouni.

E mesmo setentona continua até hoje na defesa intransigente dos interesses dos estudantes e do povo do Paraná, com o mesmo vigor do dia 16 de setembro de 1939.
Parabéns a UPE, Parabéns a todos que ajudaram a construir essa história.

Texto de Madson de Oliveira, jornalista e ex-presidente da UPE 2001-2003/2003-2004.

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