8 de setembro de 2009

15º Grito dos Excluídos

No mesmo momento em que acontecia o desfile de Sete de Setembro, na Avenida Cândido de Abreu, em Curitiba , cerca de 500 pessoas participavam de um protesto contra a continuação do funcionamento do Aterro da Caximba, que recebe lixo da capital e de outras 18 cidades.

A manifestação fez parte da 15.ª edição do Grito dos Excluídos, que acontece tradicionalmente no mesmo dia em que se comemora a Independência do Brasil. Os manifestantes se reuniram na paróquia Nossa Senhora do Rocio e caminharam rumo à comunidade São João Batista, ambas na Caximba, em Curitiba.

De acordo com o padre da paróquia Nossa Senhora o Rocio, José Antônio da Cunha, o Grito dos Excluídos vestiu a camisa da luta dos moradores contra o aterro.

“Há 20 anos o aterro traz transtornos aos moradores da Caximba. Estamos ganhando mais vozes com o grito, ou seja, pessoas a favor da vida e da dignidade. Além disso, estamos lutando para implantação de um novo sistema de tratamento do lixo e ainda contra o consórcio municipal do lixo, que pretende implantar o mesmo projeto de aterro sanitário do outro lado da rua onde atualmente o aterro está localizado. Isso é inadmissível”, afirmou.

Para o representante das pastorais sociais, dom Ladislau Biernaski, o Grito dos Excluídos deste ano representa a voz daqueles brasileiros que ainda não são tratados como cidadãos de fato. “A força está na sua organização. É isso que o Grito dos Excluídos faz, ou seja, uma voz apenas não basta para mostrarmos quão degradante é a situação dessas pessoas que vivem próximas ao aterro”, avalia.

Esse é o caso de Lili Rakssa, que mora próxima ao aterro. “É uma situação desumana. Em dias de calor, por exemplo, o cheiro é insuportável. Não consigo aguentar”, desabafou.

A UPE manifestou-se contra o processo excludente de acesso as universidades : pelo fim do vestibular , por uma universidade popular!

No protesto, cerca de 30 entidades divididas entre membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Paranaense dos Estudantes e grupos estudantis, paróquias e militantes.


Texto de Mariana Dutra - Diretora de Movimentos Sociais da UPE

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